Olimpíadas: a competição sadia entre os povos

A Olimpíada de Tóquio começou, enfim – após um ano de espera com a conjuntura da pandemia – e todos os olhares do planeta se voltam agora para os suprassumos do universo esportivo que competem entre si para revelar quem são os vencedores entre os melhores do mundo.

Mas, afinal: o propósito de ser este um evento símbolo de competição saudável de fato se concretiza? Como acontece a boa convivência entre os competidores?

Craque Neto

O Feliz Porque Quis conversou com exclusividade com o craque Neto, ex-jogador de futebol e apresentador do programa Donos da Bola, da Band, que participou dos Jogos em Seul, na Coréia do Sul, em 1988. Neto voltou com a medalha de prata no peito. Para ele, embora o conceito das Olimpíadas seja a competição saudável, a motivação do atleta é vencer: “O nível de competição é muito alto. Muita gente busca o sucesso a todo custo, tanto que existe doping, entre outras trapaças. Sendo bem sincero, o futebol masculino não se enquadra nesse tipo de competitividade. Os interesses financeiros mandam mais.”

Neto, no entanto, destaca um exemplo atual onde a busca pela medalha teve o espírito de competição saudável evidente: “Vendo situações como a da Rayssa, vencedora do Skate, a gente se emociona. Medalha inspiradora!”

O atleta lembra ainda de outro feito em que o espírito olímpico falou mais alto: “No Rio, em 2016, duas atletas se chocaram na corrida de cinco mil metros e uma ajudou a outra a terminar a prova. Foi incrível”.

Neto no jogo contra URSS em Seul/ 1988
Neto na Olimpíada de Seul/ 1988 (segundo da direita agachado)

O jornalista Fernando Fernandes conhece bem o universo das Olimpíadas: cobriu quatro edições – Atlanta 1996, Sidney 2000, Pequim 2008, Brasil 2016.

Fernando Fernandes
Jogos Olímpicos Rio 2016

Para ele, os Jogos Olímpicos são muito importantes para o desenvolvimento do ser humano: “Ali, dentro das provas, sintetiza-se o esforço máximo do atleta dedicando anos de sua vida para ser traduzida em segundos, em metros, em centímetros… É o que há de mais bonito no ser humano, que é a busca do aprimoramento e crescimento físico, mental e psicológico”.

Fernando acrescenta que o esporte olímpico pode servir como referência de que o mundo pode ser melhor e esta ideia se materializa nestes jogos através da disputa saudável. “É onde a competição e o congraçamento se misturam. É fundamental para nos lembrar que estamos aqui para evoluir e buscar a nossa constante evolução”.

“Tão importante quanto vencer é o saber perder. Esta é a grande mensagem que os Jogos Olímpicos passam pra gente”, completa ele, ao destacar a realidade de que a grande maioria dos atletas que participa deste evento não sobe ao pódio. “O atleta saber que ele fez o seu melhor é o mais importante”.

Fernando Fernandes
Jogos Olímpicos Pequim 2008 e Jogos Olímpicos Sidney 2000

Joceli Drummond, doutora em psicologia e professora de Desenvolvimento e Liderança de Pós-Graduação e MBA da FGV, explica que nas Olimpíadas as relações entre grupos acontecem em dois níveis: “Um nível é compartilhar quando um jogador do mesmo time auxilia com suas qualidades os membros da equipe para que vençam. O outro nível é a competição em si que remete a vencer em uma relação com a ética e regras claras. E isto em psicologia é considerado saudável”. Ela destaca a inteligência emocional do atleta como fundamental neste tipo de competição: “O vencedor comemora mostrando que seus esforços valeram a pena. O perdedor se estimula para corrigir e, com resiliência, sair vencedor num próximo evento”.

Joceli Drummond
Psicóloga

Joceli identifica como exemplo de quem venceu com base nas regras claras e com ética a mesma campeã destacada nesta matéria pelo jogador Neto: a “Fadinha” Rayssa Leal: “Esta menina de 13 anos nos ensina de onde viemos e aonde podemos chegar, mesmo ainda sendo uma criança estigmatizada com poucos recursos. Socialmente é um momento em que todo brasileiro costuma ter orgulho do Brasil”. E conclui: “Assim como a Rayssa, cada um tem uma história de superação e de determinação aos obstáculos que temos para chegarmos ao nosso ‘gol’.”

Exemplos de sucesso não faltam. Histórias de superação e resiliência também não. Que fadas como a Rayssa continuem a voar cada vez mais alto, para que possamos continuar acreditando que sim: com regras claras e com ética, podemos ganhar ou perder, mas com certeza voaremos cada vez mais alto a caminho da eterna evolução.

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